Depois do evento “maternidade” o tempo começou a passar tão depressa que nem me dou conta, e lá se foi outra primavera.
Logo vou começar a contar os “outonos” e se tudo der certo chegarei aos “verões”.
Minha primeira festa de aniversário foi aos 11 anos.
Antes disto eu tive uma dificuldade enorme de fazer a conta certa, e saber minha própria idade.
Eu sempre fazia a conta a partir do meu ano de nascimento, o que me dava um ano a mais, durante todo o ano, uma vez que completo ano no último dia do penúltimo mês.
Mesmo depois que entendi a coisa toda, continuei a mencionar minha idade pelo ano.
Mas, a partir de agora, acho que vou rever isto.
A coisa começou a ficar complicada, e eu quase não tenho certeza de quantos anos vou fazer.
Consulto o calendário e verifico que vou fazer 3.6.
Boa. Gostei da combinação dos números.
3.6.
Descobrindo que minhas armas, antes ferramentas de combate, hoje pesam.
3.6
Aprendendo a baixar as armas.
Aos 15 anos uma pessoa de 36, aos meus olhos adolescentes, era alguém “madura”, realizada, sem dilemas emocionais...
Grande engano.
A alma amadurece mais lentamente que o corpo.
As ruguinhas não perdem tempo e se multiplicam velozmente.
A genética da família favorece os cabelos brancos, tenho-os, aos montes.
Já a alma...a alma parece bem menos madura do que eu imaginei aos 15 anos.
Gosto das minhas marcas temporais.
Eu só desejo que minha alma acompanhe a passagem do tempo.
Que a tal sabedoria não espere tanto para tomar conta de minha essência.
Que os anos não tirem de mim o viço, o riso, o gosto, mas me acrescentem a capacidade de reaprender a respirar.
Que ao contar meus anos, eu lembre que só não os faz, quem morre antes.
Quero chegar ao fim da lida colecionando anos, vários novembros floridos.
Eu nasci na primavera.
Portanto irei contar primaveras sempre, mesmo quando o verão já estiver instalado em meu corpo.
Enfim, feliz dia meu, para mim.
Feliz novembro, 3.6.
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