segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nunca mais menina.

Sem você?
Sem você, nunca mais.
Se te perco nunca mais encontro um amor assim,
Se te perco nem procuro outro amor.
Sem você nunca mais alguém me dará banho.
Nunca mais.

Jamais alguém havia me dado banho.
Talvez minha mãe antes de se perder de si mesma tenha me dado banho, os banhos primeiros que os bebês tanto gostam.
Francamente não lembro.
Lembro sim de aos 04 anos brigar com o sabonete teimoso que escorregava dos dedos e rapidinho decidir que não precisava dele para o banho.
Só deixava a água cair no corpo e pensava que já estava “limpinha”.

Depois disto, aprendi a tomar banho, claro, mas sozinha.
Nunca alguém havia ensaboado minhas costas, atrás de minhas orelhas, meus pés, entre meus dedos.

Nunca alguém havia me dado banho totalmente despido de sedução.

Este seu gesto tão doce, tão puro, tão despretensioso, me arrastou para dentro de ti.

Te ver de joelhos, ternamente, esfregando meus pés, de maneira demorada e cuidadosa e depois esfregando minhas orelhas enquanto os seus olhos ficavam perdidos nos meus, com uma doçura tão grande que espantava qualquer outra conotação que não fosse a de amor no seu estágio primário, te ver ali, com tanto carinho e ternura, te ver assim tão cuidadoso, arrancou de mim o que eu tenho de melhor, fincou definitivamente seu nome na minha pele.

Se te perco não te esqueço.
Se te perco não morro, pois sempre faço planos pra uma vida sozinha, caso ela venha, mas se te perco, ninguém me dará banho de novo.
Não do jeito que você faz.
Nesta hora não é só meu homem.
Nesta hora é meu abrigo, meu amigo, meu irmão.
Nesta hora é minha vida, toda ela, perdida na espuma do sabonete.

Se te perco, minha vida, eu juro que sigo adiante, por pura teimosia, mas juro também que nunca mais alguém fará de mim menina.

Ela é. Sempre.

(Texto publicado originalmente no blog "Aspirinas & Urubus" no dia 12/05/2011)
(http://aspirinasurubus.blogspot.com/search/label/Klas)

Ele pensou que naquela manhã quando abrisse os olhos descobriria que não respirava mais... mas assim que os primeiros raios de luz entraram pela janela e o encontrou ainda sentado na poltrona do quarto ele pode perceber que ela estava no ar.

Sim: ele enchia os pulmões para o ar entrar e quem entrava era ela...


Levantou-se surpreso e trôpego foi até a janela.

A luz que pela janela entrava era ela.

Amou-a de novo como a amara sempre.

Os amigos costumavam dizer que ela preenchia todos os espaços, que sua presença era resplandecente.

Naquele momento ele pôde sentir esta imensa presença...


Eles eram daqueles casais que olhando de longe parecem perfeitos. Mas eles vão além disto:quando se aproxima e olha de perto você passa então a ter certeza: nasceram um para o outro.


Juntos professaram sua fé e pela fé mudaram seus nomes, traçaram sua vidas um amarrado no outro...

Mas eram amarrados não com nós e grilhões, suas vidas eram atadas com laços de fita, com laços coloridos, com caules de flores, eles flutuavam juntos em bolinhas de sabão e a música de fundo era uma gargalhada cantante.


Naquela manhã o universo dele desabou e a única palavra que ecoava em seu cérebro era: infarto.

Ela se fora, simplesmente se fora.

Assim como o verão dá lugar ao outono, ela se fora dando lugar a um algo que ele ainda não sabia que nome por.

Não era vazio.

Ela ainda estava ali. Ele podia sentir sua presença perfumada no ar.

Olhar o futuro agora era olhar para ela.

Ele sabia, sabia que ainda eram um só.

Naquela manhã ele respirou um ar que era ela, bebeu uma água que era ela, andou por uma calçada que era dela ...

E sorriu.

Sabia... que era para ela.


(Texto produzido em Julho de 2010 em Memória da eterna Bhumi)


Eliana Klas

sexta-feira, 6 de maio de 2011

No claro e no escuro.

Ela, vinte anos.
Ele trinta.
Linda, das 04 irmãs ela seria a única a não perecer nas garras da depressão e posterior esquizofrenia.
Duas irmãs ficaram solteiras, a mais velha e a mais nova.
Ela e a do meio se casaram.
As duas com Silvios.
Os cunhados tinham o mesmo nome, mas os casamentos tomaram rumos distintos.
O dela foi pra vida toda.

Primeiro o pedido:
- Pense bem, sou velho, não vou querer filhos.
Ela resolveu consultar a mãe, que de pronto rebateu:
- Velho? Nem tanto, aos trinta que o homem já sabe o que quer.
Sendo assim, com o aval da mãe se casaram em seis meses.
Primeiros tempos moraram juntos, as duas irmãs e seus dois Silvios.

Não tiveram filhos, por opção, é o que diziam.
Sem filhos tornaram se filhos e pais um do outro.
Ela brava, ele calmo.
Os dois apaixonados.

Ele, com seus 10 anos a mais que ela, sempre foi seu alicerce.
Esteve ao lado dela quando as duas irmãs adoeceram, acompanhava-a nas visitas ao hospital e a casa distante, na periferia, entre uma internação e outra.
Mais tarde quando a sogra, mãe dela, faleceu foi ele quem esteve junto cuidando das duas irmãs que ficaram solteiras.
Anos depois, com a morte da Irmã mais velha dela, ele, sempre paciente, trouxe a cunhada caçula para viver com eles, e cuidaram dela como de uma filha.

E assim viviam, os três.
Ele, sempre com uma piada para sacar do bolso, sempre doce, sempre atento e gentil.
Ela, mão forte, conduzia a casa com braço de ferro, mas com ele era doce.
“Fofo”, era assim que ela o chamava.

Toda noite a pergunta:
-Você me ama.
- Claro.
E dormiam abraçados.
Por cinqüenta anos foi assim.

Naquela noite, quando a luz apagou, a mesma pergunta:
- Você me ama.
A nova resposta, que ela pensou ser piada:
- No Claro e no Escuro.

De madrugada levantou para ir no banheiro, não voltou.
Ela foi encontrá-lo escorado na parede.
Abraçou-o, beijou, tentou revive-lo.
- Fofo, fofo! Não me deixe. Não me deixe.

Ele já estava morto em seus braços.
50 anos.
Ela, linda. Ele em seus braços.
- Te amo, no claro e no escuro, ela disse, antes de fechar os olhos dele, pela última vez.

(Ao meu tio Silvio Pontes e minha tia Mary Klas.)



terça-feira, 3 de maio de 2011

Estou cansada.

(Texto publicado originalmente no sitio Aspirinas & Urubus no dia 27/04/11.

http://aspirinasurubus.blogspot.com/search/label/Klas)



Cansada do ar sempre pesado, cansada dos pés sujos de barro.


Cansada de cambalear nesta rua suja, com roupas igualmente sujas e tentar manter intacta uma mente limpa.


Estou cansada de esticar estes panos rotos, sobre este colchão velho, jogado neste chão esburacado.


Estou cansada da água cor de barro, cansada da lata para o banho e do esgoto fedorento.
Estou cansada dos restos de marmitas e dos lanches dados com desprezo.


Estou cansada dos cadernos velhos, do lápis sem ponta, da caneta ressecada.


Cansa-me a alma nova, esta vida velha de dias duros e noites famintas. Cansa-me o esmolar, cansa-me o olhar de pena.


Cansei dos tapas, dos chutes, do escárnio.


Cansei de sentir saudades de minha mãe e de ouvi-la sendo chamada de puta.
Desisti de todos os dias tentar me convencer que não há do que ter canseira em uma vida sem ocupação.


Cansei de tentar motivação nos livros velhos que ganhei nem lembro mais de quem.
Cansei de acreditar que minha letra bonita irá um dia me fazer alguém. Cansei da vida, se é que já tive uma.


Desculpem.
Desculpem desistir assim, sem tentar.


(Este bilhete foi encontrado ao lado do corpo de uma menor, vítima de hipotermia, nas ruas de São Paulo) - (Ficção, mas podia ser verdade.)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A primeira impressão sempre fica

Publicado originalmente no sitio Aspirinas & Urubus.
http://aspirinasurubus.blogspot.com/search/label/Klas


A Primeira impressão sempre fica.

Sabe aquele termo “a primeira impressão é a que fica”?


Pois é.


Uma das impressoras do escritório é super “ligada” nestas coisas de “ditado popular” e resolveu incorporar este aí.


Pena que ela não é lá muito boa em interpretação.


Ou pior: adéqua malandramente qualquer “frase de pára-choques” à sua rotina sádica.


A sujeita não dá a mínima para o significado da frase. Ignora o termo que nossas avós usavam como conselho para que cuidássemos dos primeiros contatos com os outros e que hoje, é usado aos montes em qualquer aula de marketing pessoal.


Ela, a impressora, usa o termo no sentido de “engolir” e mandar para a “terra do nunca” todo documento que eu tento imprimir nas primeiras horas da manhã.


A Aninha, minha colega, sempre diz:
- Eliana, a primeira impressão é a que fica. Não se esqueça!
- Grunffff!!!!!!!!!!!!!! Resmungo eu, do outro lado da sala.


‘Tá’, sei que devo dar um desconto a esta brava guerreira que conta sabe-se lá com quantos anos de trabalho suado (melhor dizendo: ‘tintado’), mas tenho cá minhas desconfianças que esta lutadora é tudo menos uma senhora de respeito. Pelo menos segundo o conceito dos meus avôs.


Ela é cheia de taras e manias.


Nada contra as taras de cada um, mas lembre-se que estou narrando segundo a ótica dos meus avôs, que são de uma época que o conservadorismo (ou, em alguns casos a hipocrisia) vinha em primeiro lugar. Pois bem. A sujeita adora me maltratar e muito mais que isto adora ser maltratada.


Percebam: ela é sádica.


Adora maltratar esta pobre alma que vos escreve.


Para chegar ao meu local de trabalho passo por uma verdadeira epopéia, digna dos grandes contos mitológicos,. (Quem atravessa qualquer metrópole em transporte público sabe do que estou falando).


Pois bem, depois de ‘penar’ por 2 horas até chegar ao meu trabalho eu luto bravamente contra o mau humor e, quase sempre, venço.


Isto é, se eu não precisar usar esta sujeita que fica pairando sobre minha cabeça (sim, ela fica em uma prateleira na parede, sobre minha mesa). Se eu não precisar dela passarei o dia feliz, utilizando os serviços de Maria Helena, nossa Super Impressora.


Porém, se eu precisar imprimir etiquetas e pedir ajuda à ... à... à... à (eu tenho infinitos problemas com a crase, podem deixar uma só, ou como entenderem ser melhor) ‘Brava Senhora, me ‘ferro’, e apanho dela como uma cachorra até perder a paciência e arrancar meus próprios cabelos.


Ela? Malvada, sorri do seu pedestal.


Além disso, é masoquista: adora que eu a xingue e só funciona direito depois disso!


Quem me conhece sabe que costumo por nome nos meus aparelhos eletrônicos, pelo menos nos mais usados por mim, e até mesmo em alguns móveis. Notem que chamo a Super Multifuncional de Maria Helena.


Pois bem, a digníssima impressora da qual conto hoje a saga não pode ter nome.


Já tentei de tudo:Alice, Ana, Jocasta, Teresa, Joaquina, Marianinha, Suzana, Patricia, Miquelina, Augusta, Amélia...ANTA!!!! SUA MULA VELHA, ZEBRA MAL PINTADA!. FILHA DA P.................Pronto! Falei a senha! Agora a impressão sai p e r f e i t a como se nada houvesse acontecido.


Juro que não tenho por habito berrar palavrões, mas há muito tempo eu, confesso, que sussurro vários aos ouvidos dessa criatura perversa que me olha de olhos cerrados e que com a boca escancarada cospe a impressão sobre mim... Mas assim: só depois que eu a xingo!


Já ouvi dizer que todo objeto e/ou pessoa tem “energia própria”, que devemos cultivar “bons fluidos” sorrir placidamente quando o “Titanic” está afundando e “acreditar” que tudo dará certo.


Devemos acariciar as flores, conversar com as plantas, rir para os passarinhos e saltitar pela vida como camponesas felizes. Desta forma estaríamos atraindo toda sorte de “boas vibrações”.


Pois bem, a ‘Vagab....’da velha impressora não sabe disso.


Ela acha que deve “engolir a primeira impressão” e só me recompensar com ela quando eu tiver externado o mais podre que há em mim.


Assim terminamos.


Eu: ferida, descabelada, suada, suja de tinta e com o humor destruído.
Ela: impassível, sorrindo e parecendo dizer, lá do alto: “dane-se a impressão que causo”.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Dia de Luto.

Boa tarde povo!

Dia meio triste com as noticias que vem do RJ.
Penso no RJ e penso em cada pai e cada mãe.
Não é preciso ter filhos para ficarmos aperreados.

Eu que tenho uma bem na idade da meninada atingida pela violência fico meio anestesiada, com naúseas, com medo.

O que pensar quando do outro lado vemos um outro menino?
Louco. Malvado. Perverso. Sabe-se lá a história por tras disto.

O fato é que cada vez que um louco assim encontra respaldo na imprensa mais loucos nascem.
Hoje, dezenas de maniacos motivados sabe-se lá por qual tipo de psicopátia talvez tenham a mesma idéia: Com morte e sangue fazer seus minutos de glória e rendenção.

Eu, particular e leigamente, penso:
Não deviam divulgar o rosto, nem o nome, nem contar tantas vezes a história do assassino.
Era isto que ele queria.
Louco ou não ele conseguiu o que queria.
E outros talvez consigam também.

Não há duvidas de que ele queria ser ouvido, Pra isto escrevem cartas.
Não vamos discutir o que leva um menino a virar um monstro.
Toda história tem dois lados e eu sei disto.
Mas vamos tentar não alimentar os monstros.

...Meus sinceros pesames a todas as familias. Todas.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Nasceu!

Nasceu o blog Aspirinas e Urubus.
Vejo vocês lá.
beijos.

http://aspirinasurubus.blogspot.com/

terça-feira, 29 de março de 2011

Pré-parto da "Cruviana" e do "Aspirinas & Urubús"

O "eu, todos os dias" faz parte dos meus dias e sendo assim sofre o resultado do que acontece neles.

Meus dias andam um pouco atrapalhados e eu pouco tenho conseguido escrever.

Fui mais uma das "vitimas" do surto de conjuntivite que tomou conta do Estado e além de não poder trabalhar fiquei literalmente de molho...mal podia enxergar, muito menos escrever que seria meu alento para aqueles dias que não passavam.

Viagem marcada para Rodeiro, lá fui eu no Carnaval.
O feriado renderá um texto, ainda, que não tive tempo de produzir.
Logo em seguida saí de férias por 10 dias pra cuidar do aniversário da princesa, que completou 15 anos. Festa linda, tudo perfeito, do jeito que ela queria.
Vestidão, 15 amigas, velas, flores e no fim uma "baladona".
Lá ser foram o resto dos meus neurônios.

Hoje vim a esta lans pra produzir um texto para um projeto que fui convidada a fazer parte.

E aqui, olhando pra tela do computador, percebí que sempre escreví para mim mesma.

Nunca escreví pensando em quem lê...E agora, ao teclar um texto para um projeto que terá pelo menos 06 leitores (nós mesmos,os contistas do projeto, risos) sinto um certo desconforto...

Escrevo para mim. Sou eu minha leitora e compradora. Jamais desejei atingir um público.
Escrevo muito mais por necessidade do que por querer.
Escrevo por precisar jogar fora o que me corrói por dentro.
...algumas vezes, várias vezes, gosto do que escrevo. Mas é só.

Ainda assim aceitei a proposta.

A proposta é a seguinte:

Tenho um amigo de rede em Mossoró - RN,chamado Jota Paiva.Grande figura.
Mente pensante, alma que conta séculos no corpo de um jovem jornalista, poeta e contista. Ele é casado (e apaixonado) com a Regiane que é professora de Língua e Literatura Espanhola na UERN.
Há algum tempo ele me pediu autorização para publicar um dos meus textos no Jornal de Mossoró. Publicou "Chão Azul" e eu confesso que gostei de ver meus versos indo tão longe. Nâo sei se alguém leu, mas isto nunca me importou.
Importa escrever. Sempre.

Pois bem, o Jota iniciou junto com um conselho editorial e com o apoio da editora Sarau das Letras o projeto da revista "Cruviana", do qual eu fui chamada a fazer parte, publicando contos.
Paralelo a isto nasce o blóg "Aspirinas & Urubús", composto por cinco mulheres e dois homens. Eu fui convidada a ser uma aspirina. Me intitulei "a quinta aspirina" e aceitei o convite.

O blóg terá publicações diárias, sendo que cada aspirina e cada urubú deverá escrever um trabalho por semana...para isto terei de me programar, e separar aos fins de semana um tempo para este trabalho.
Amo escrever, porém não sei se vou gostar da experiência de me obrigar a isto.
Veremos no que dá.
Assim que a revista e o blóg estiverem prontos publico aquí e convido os amigos a visitarem este trabalho tão cuidadosamente elaborado pelo Jota Paiva e demais participantes.

O Blog Aspirinas e Urubús será composto por um grupo bem interessante, além do Jota e sua esposa que já apresentei temos:

Arlete Mendes, professora, contista e cronista, ganhadora de alguns prêmios em São Paulo (onde mora) – (escreve como gente grande);

Rokátia Kleânia, professora de Apodi (RN), dona do famoso blog da Professorinha, está entrando na crônica com a experiência de quem já escreve com freqüência num espaço referência na defesa da educação potiguar.

Cecília Maria, cantora e poetisa de Mossoró (RN), conhecidíssima como integrante do grupo musical Vina, que mistura música e poesia em grandes espetáculos.

Davi Jeremias, publicitário e professor de língua inglesa, responsável pelas grandes ideias que estão surgindo na publicidade de Mossoró (RN). A crônica é um desafio que vai se unir a sua criatividade artística.

...a mim o amigo Jota apresentou da seguinte maneira:

"Eliana Klas, secretária, contista e cronista, dona do blog “Eu todos os dias”, e de uma sensibilidade de grande escritora. Também é paulistana".

...Enfim, vida que segue, e eu sigo também.

Vida longa a Cruviana e ao Aspirinas & Urubús. Com ou sem mim.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

...seu outono em mim...

O outono desperta minhas últimas vontades.
Vontade do seu toque na nuca, no braço, no rosto. Vontade do seu toque nas partes expostas de minha pele, únicas que podes tocar.
Nada posso fazer além de debruçar e sentir este cheiro de folha dourada.
...Sim...o outono tem cheiro de folha, folha molhada, marrom, soltando do galho...E você tem o cheiro desta folha.
Cheiro de fome. Cheiro de desejo. O cheiro que antecede o inverno onde todos os cheiros se perdem.
O seu cheiro é assim, cheiro de antes do fim, cheiro da última vontade, do último desejo, aquele que ninguém precisa saber, que ninguém vai ver, mas que estará lá sempre. O outono é seu perfume em mim.
Este desejo é seu cheiro de outono em mim.
Que desce pelo meu corpo e amolece minhas pernas.
Sua boca longe da minha desenha o contorno do meu corpo...seu toque que não vem acaricia minha pele morna, sua saliva molha minhas curvas.
...seu cheiro de outono atrapalha minha primavera. Me faz não querer ela, me faz querer você. Você, mesmo sem flores, sem folhas verdes, com tanto vento.
Meu último desejo, antes que o verão me sufoque, é todo seu outono em mim.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

...descobrí que amo São Paulo...

Ok. Descobri que amo São Paulo.

Ando até cantando um pagode pra minha cidade:

“Descobri que te amo demais
Descobri em você minha paz
Descobri sem querer a vida
Verdade!
Como negar essa linda emoção
Que tanto bem fez pro meu coração...”

Sou daqui.
Nascida e criada.
Meus pais são daqui.
Meus avós...estes não eram nem do Brasil mas quando pra cá vieram foi em São Paulo que encontraram abrigo.

Eu sempre dizia que queria morar em outro lugar e que não gostava de São Paulo.
Descobri que isto não é verdade.

Sim, claro que férias quero passar em outro lugar, e até posso morar em outra metrópole, mas odiar São Paulo??
Mentira.

São Paulo é minha terra.
Amo sua pluralidade.
Amo sua diversidade.
A noite em São Paulo é linda.
Amo andar pelo Centro Velho, com os prédios iluminados.

Aqui encontro de tudo e todos.

Não precisei ir muito longe pra descobrir isto...
Ter dor de dente de madrugada e descobrir que não há uma só farmácia aberta te faz amar São Paulo.
Passar por uma rodoviária e descobrir que não aceitam cartão de debito e que não há um só caixa eletrônico em um raio de quilômetros também.
Chegar de surpresa e descobrir que os restaurantes não servem mais almoço depois das 14h.
Em São Paulo encontro almoço até as 17h!!!

Eu sei que dá pra viver sem isto tudo...que é só uma questão de se adequar...sim eu sei...Mas foi assim, nestes detalhes tolos que eu descobri que gosto da minha cidade.
Gosto da gente colorida, de todas as raças e credos. Gosto dos prédios altos, gosto do vaivém e de saber que sempre posso voltar para cá e que aqui, afinal é meu lugar.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

...Faltam Cinco Dias...

Faltam cinco dias.
Cinco dias para o Evento de Conclusão de Curso.
...sinto uma ansiedade boa,...uma sensação de caminho começado.

...tenho certeza que com o fim do curso nada acaba.
Na verdade agora é só o começo.
O começo da pratica diária daquilo que aprendi pelo caminho...A volta ao horário britânico que sempre gostei de praticar.
E a tentativa diária de vencer meus limites, de superar minhas fraquezas. De ser melhor naquilo que gosto de fazer.

...olhando para trás vou ver muita coisa boa que aprendi durante o curso.
Lembrarei do sono.
Sono que me fez perder 12 kilos só no primeiro mês de faculdade, pois eu preferia dormir do que comer.
...dá pra eu escrever algumas crônicas só contanto as mil maneiras de dormir em pé.
Sim, eu parecia um cavalo no estábulo. Aprendi a dormir em pé.
Ah, e tem mais. Teve dias de eu pagar o metrô e usar o horário de almoço indo e voltando de Itaquera, só para dormir.
Dormi na mesa na hora do almoço e ficar com a testa marcada...a chefe perguntar: Meu Deus, que é isto em sua testa??
Deixar de sair pro almoço e ir dormir até a colega ligar no celular pra saber se eu tinha desmaiado dentro do banheiro.

...e este sono me deixava uma zanga, uma irritação que só os anjos poderiam ficar ao meu redor...Sorte é que ficaram...
Certa vez voltando para casa um menor me abordou: Puxou minha bolsa e foi dizendo: me dá o dinheiro ai!
Amigos, com frio, com fome e som SONO não pensei duas vezes: Dei-lhe uns sopapos e perguntei se ele estava armado.
_ Mas tia, eu não to te roubando!
_ Não “ta” me roubando e está me “acelerando” por quê? Escute aqui rapaz, eu estou com fome, com frio e com SONO! Se for me roubar terá de me mostrar um arma!!!
Depois disto o vi várias noites. Ele só levantava o polegar e dizia: “E ai, tia? Tá melhor hoje?”

Fome. Sono.
Chegar em casa e ter a filha ávida por atenção.
Agüentar acordada por mais uma hora por saber que se eu não desse a atenção procurada ela encontraria em outro lugar e nem sempre eu saberia onde.
Só esta parte foi difícil.

Lidar com gente também.
Foi difícil voltar aos bancos escolares.
Reaprender a aprender.

Confesso que algumas vezes eu pensava: Valerá a pena?
Eu precisava tentar.
Tentei. E agora faltam cinco dias...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Teu corpo no meu tédio.

Tédio total.
Tédio de uma primavera fria, pior: morna.

Nesta hora quem sabe seus beijos mudassem isto...você que fica rindo de longe, que os pensamentos eu não descubro.

Numa tarde assim morna, me encontraria por acaso e também por acaso nos olharíamos diferente do que nos outros dias.

A mão fria na minha pele quente e quente ficaria todo o corpo.
Esta coisa de pele na pele e seu cheiro bom invadindo meu raciocínio.

...nesta hora tudo fica pra depois e pra que preocupar se o depois nunca chega.

Vem, me tira deste abismo tolo, canta pra mim o ritmo que quer que meu corpo tenha.
Deixa-me movimentar nossa tarde, deixa eu desfilar pra sua imaginação.
Vira-me do avesso, me põe do jeito que quer. E olha. E canta. E toca. E vibra.
E beija.

Faz deste tédio tarde escaldante.
Põe teu corpo no lugar deste tédio, dentro de mim.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Não me importa em quem você votou. Mas me importa que você saiba.

Ontem meu dia foi uma aventura e desta aventura brotou no meu peito uma semente de militância não partidária.

Há alguns meses conversei com o Fernando Amaral(http://quodores.blogspot.com/), sobre a necessidade que tenho de buscar minha consciência política.

Sou como esta grande massa que não sabe ao certo o que cada cargo representa no exercício da democracia.
E esta “cegueira” começa a me incomodar.
Há um germe dentro de mim que me incomoda e diz que preciso fazer algo.

Quando conversei com ele mencionei a intenção de me filiar a um partido e que estava amadurecendo esta idéia no meu peito e na minha mente.

Todavia ontem eu pude perceber que minha militância não pode ser partidária.

Neste momento preciso urgentemente estudar a respeito da história da democracia em nosso país.
Preciso entender esta salada toda que ferra a cabeça do pobre que quando vota em personagens controversos como a comentada candidatura do “Tiririca” não sabe o que há nos bastidores e que ele leva consigo mais 04 do seu partido. Se este partido representa os interesses deste eleitor tudo bem, mas e se não???

Eu voto em São Paulo, meu namorado apesar de morar há onze anos em São Paulo não abre mão de votar em Careaçu, sul de Minas Gerais.

Votei as 8h30 em Guaianases e de lá seguimos rumo a Rodoviária Tiete.
As 14h desembarcamos em Careaçu e seguimos rumo ao colégio onde ele vota para depois voltar ainda no mesmo dia para São Paulo onde ambos trabalhamos na segunda.

Lá eu vivenciei algo que para mim eram contos da carochinha.
Jamais imaginei como esta questão do voto fosse tão forte nas cidades do interior.
Ali percebi o porquê de o meu querido ir votar lá. Do peso que tem o voto dele.

Lá cada voto é galgado palmo a palmo e as pessoas realmente negociam seus votos.
...não vi nenhuma negociata, mas percebi em cada esquina um grupo formado pra coibir a compra de votos.
Eles ficam agrupados nas esquinas e vigiando uns aos outros.
Os moradores vão todos para a praça, e o assunto do dia é a eleição.
Não vi conscientização de voto ali mas percebi o prazer que eles sentem em exercitar o direito ao voto.
Não vou falar de exercício da democracia pois penso que seria utópico mas eles não abrem mão do seu voto como vejo aqui em São Paulo.
Conscientes ou não, eles querem votar.
Enquanto vejo aqui em São Paulo pessoas não querendo se deslocar dentro da própria cidade para votar, lá eles andam horas pra chegar até o local do voto.
...o meu próprio namorado é um exemplo disto, nós passamos ontem 10horas, entre ida e vinda, dentro de um ônibus por ele não abrir mão de escolher os deputados de sua região. Ele não mora lá, mas é pra lá que ele quer voltar e pensando nisto segue depositando seu voto na urna de Careaçu.
Não abre mão disto.

Se em Careaçu eu percebi esta questão de não saberem ao certo, como eu, toda a questão do que cada um faz depois de eleito e o peso que seu voto tem dentro de uma legenda; em São Paulo percebo o desrespeito com o qual as pessoas tratam seu voto.
O povo daqui vota com raiva de ter de ir às urnas.
Cidade grande demais, o povo vota em quem não conhece e jamais saberá o que aconteceu depois.
Esta coisa toda faz com que a grande massa (não falo do povo como um todo mas da massa inconsciente) faz com que as pessoas votem em branco ou não votem preferindo justificar a ausência.
Eles tiram de suas contas a responsabilidade da escolha, covardemente se recusam a opinar e não pensam que se todos fizessem assim toda a luta pelas “Diretas Já” é jogada no ralo...

...descobri ontem que mais do que qualquer divergência partidária é esta coisa ai que mexe com meu fígado.O que mexe com meu estomago é ver o povo votando em pessoas que não representam seus interesses.
Não me importa qual seu voto, se ele não é o meu. Mas me incomoda que você não saiba o que a pessoa em quem você vota representa.

...Toda classe merece ter seu representante.

Se você é Rico e é daqueles que acham que quem tem deve ter cada vez mais e que quem tem menos não deve ter chances de mudar este quadro então é licito que você vote em alguém que tenha seu perfil.

Se você acha que migalhas devem ser dadas as maiorias enquanto as minorias esbanjam o patrimônio que é da Nação então é lícito que você vote em candidatos que representam estas minorias.
Não posso me calar quando vejo alguém pobre como eu, que luta todos os dias para ter acesso a educação que me foi negada na idade própria, educação esta que pode mudar a qualidade de vida de grandes maiorias, uma pessoa que vive a minha realidade não pode entregar seu voto para quem milita outra causa, sem saber o que está fazendo.

Não me importa se você é contra ou a favor do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, mas me importa que as pessoas devem ser representadas em seus Direitos e para tanto precisam saber que há quem as represente.

Não me importa que você vote no candidato que é o oposto de tudo que eu penso mas me importa que você saiba o que está fazendo.

Alguns acham que eu sou uma Ditadora pela maneira que exponho minhas idéias.
A estes eu respondo da seguinte maneira:
“Eu exijo das pessoas que me rodeiam que elas exercitem o direito que tem de pensar. Não me importa que pensem diferente de mim, mas me importa que elas pensem e manifestem seu pensamento.
Defendam suas opiniões. Não me importa saber qual é o seu voto mas me importa que você saiba qual é seu próprio voto.”

Quando a vaga ao senado é disputada de maneira tão acirrada por personagens tão diferentes eu me preocupo.
Me preocupa que a massa analfabeta, (assim como eu me declaro analfabeta politicamente)tem força nas urnas e desconhece seu poder de mudança.
Simpatia, carisma e ações sociais feitas de maneira isolada não podem significar que uma pessoa é politizada o suficiente para ser um Senador.
Mas como podemos saber disto se nem sabemos quem somos?

Enfim, minha mente precisa responder aos apelos do meu coração.

Assim que eu concluir meu Curso de Secretariado vou investir em conhecimento político não partidário a fim de formar um grupo de pessoas que assim como eu não suportam mais o grito da ignorância que é dado nas urnas.
Um grito que é meu também e que eu não suporto mais ouvir.

...hoje é só uma idéia. Amanhã pode ser muito de mim, todos os dias.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Hoje o dia é meu, se me permitem.

Hoje é um dia Feliz.
Hoje é o dia em que se comemora o dia da profissão que eu escolhi para ser a minha profissão.
Ser secretária não é uma função, é profissão.
A minha profissão.
Ou melhor, daqui a alguns meses poderei, com orgulho, me auto-nomear secretária.

Amanheci feliz pela certeza do privilégio que tenho por estar onde estou fazendo o que faço.
Pouquíssimas pessoas têm o privilégio de trabalhar fazendo o que gosta onde gosta.
Eu sou uma destas pessoas. Faço o que gosto e trabalho no que acredito com pessoas nas quais acredito.
Gosto do que faço e meu anseio é encontrar o ponto de equilíbrio que me falta para poder fazer melhor, com mais qualidade e eficácia o que faço.
...meu anseio é vencer a mim mesma, minhas limitações, e tendo-as vencido exercer com qualidade a profissão que escolhi pra ser a minha...

...Quando decidi que deveria me profissionalizar fui várias vezes questionada sobre a escolha da profissão.
"...secretária???mas ...deveria fazer Direito.." Ouvi isto infinitas vezes...
Claro que existe toda a questão de possibilidades mas a principal é: eu seria uma advogada(me perdoem a expressão)de merda, como muitos que vagam por ai com o diploma na mão...Não tenho vocação alguma para ser advogada.
Admiro profundamente os bons advogados e meu prazer é secretariá-los. É o que faço bem e estudando almejo fazer melhor. Não vejo problema algum nisto.
...o difícil é algumas pessoas entenderem como é que alguém pode gostar de uma profissão que tem ares de subalterna...pois é. Tem gente que gosta de servir, e afinal de contas quem é que não serve a alguém?
Mesmo os donos das empresas servem ao interesses dos seus clientes ou muito pior algumas vezes servem aos interesses de sua ganância.
...enfim o fato é que servir é um Don. Servir com dignidade e olhando para cima é Don maior ainda. É benção.
Recebi um e-mail que diz o que hoje uma secretaria é, ou deveria ser.
Sei que ainda preciso melhorar muito, sobretudo nos aspectos emocionais. Mas sei que sou boa. E que posso ficar ainda melhor.
Enfim, hoje é meu dia, me desculpem não usar de falsa modéstia, mas vim aqui me parabenizar!

Abaixo colo o e-mail que recebi.
Pra eu mesma ler e lembrar todos os dias aquilo que busco ser.

Beijo em todas as secretárias.
E em todos os chefes, sem os quais não existiríamos.

E-mail enviado por Cleide Sobral, colega de curso e representante das alunas do 4ºB, Curso Superior de Tecnologia em Secretariado da Universidade Nove de Julho, unidade Memorial.

“Uma profissão na qual, mais do que em qualquer outras, se faz indispensável a aliança do carinho com a firmeza, por parte de que exerce.
Ser secretária, hoje, é optar por uma profissão. É gostar do que faz.
É investir no crescimento e na harmonia pessoal e profissional. É ter consciência do seu importante papel de agente de mudança e da atuação como assessora e agente facilitador.
Seu trabalho não se restringe apenas ao relacionamento com as pessoas, vai muito além, numa busca constante, exigindo de si a quase perfeição.
A simpatia, a dedicação, a paciência, a objetividade, os conhecimentos e a sensibilidade fazem parte de um todo em que a secretária se enquadra como profissional eficiente.
Merecidamente, um dia em nosso calendário foi dedicado a esta profissional, zelosa e dedicada colaborada.
Parabéns especial a você, secretária, que valoriza cada vez mais sua profissão, que busca incessantemente seu aperfeiçoamento, que sabe o que quer e vai em busca do sucesso”

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Maria Bonita? não...

Hoje o Eu todos os dias é em forma de carta...
Hoje eu só queria poder parar.
...e sem poder parar, prossigo, fazendo do que escrevo a válvula de escape disto que dói por dentro.
Segue um e-mail enviado a um amigo.

Amigo ...acabo de receber um e-mail seu com uma pequena oração...

Por conta disto, parei o que estava fazendo e resolvi me dar alguns minutos, como se eu estivesse sentada ao seu lado, em uma conversa de amigos...

Tem um tempo pra mim?

SE não tiver como ler agora não tem problema...leia o dia e na hora que puder...neste momento eu só preciso conversar com alguém...
eu também não terei tempo de ler sua resposta agora...

Preciso conversar com alguém e não pode ser qualquer um.

Precisa ser alguém assim, com você meu amigo, amigo que eu conheci em um churrasco de comemoração pela aposentadoria... e que até hoje não parou.

Alguém cuja vida me inspire. E você é um homem assim.

Sua vida, do pouquinho que vejo (afinal em nossas correrias pouco sabemos um dos outros e das lutas que cada família trava no dia a dia), mas você é um guerreiro e não preciso saber muito de ti pra dizer isto.

Eu vejo isto nos teus olhos, nos teus gestos e no resultado refletido em sua família. Você é um guerreiro.

E tenho certeza que pela vida muitas vezes só mesmo você sabia onde doía e a luta que era pra sobreviver e vencer.

...eu ando parecendo uma panela de pressão prestes a explodir.

Mas sei que estou no caminho certo. Mas confesso que hoje especialmente eu só queria chorar baixinho e pedir pra voltar pra casa.

Desistir de tudo. Desistir de ser filha, mãe, profissional, estudante...desistir de lutar tanto, amigo...

É uma dor no peito, a pressão vai nas alturas e quanto você confere as contas descobre que não vai dar...Me sinto como os homens lutadores do dia a dia que o nosso ZG narra nas suas canções...

na minha música eu nem consigo ser Maria Bonita...eu sou o cangaceiro que procura um barranco pra se escorar e não acha.A vontade é sumir.


Mas sei que não devo e não posso.

E Deus tem sido bom pra mim...sei que devo perseverar e agradecer.

Tenho um amor que é um anjo, que Deus achou por bem por em meu caminho...e se por um lado ele precisa de mim pra direcioná-lo por outro ele tem sido o ombro amigo que tem me ajudado a caminhar.
Tenho uma filha que é meu raio de sol, minha luz e meu motivo.

...enfim...eu só queria te dar um abraço e receber a energia boa que vem de você.
Eu só queria ter certeza, amigo, de que valerá a pena...um dia.

Reze por mim, na ultima reza do dia, amigo.

Um beijo grande desta que tem a ousadia de se sentir em casa quando está na companhia de vocês.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

...todos os dias, minha melhor história de amor.

...Neste mesmo espaço há algum tempo coloquei um texto chamado “Positivo”.
http://eutodososdias.blogspot.com/2008/09/positivo.html

Eu o reli hoje assim como reli tudo o que escrevi sobre este amor.

...Tenho um álbum no Orkut chamado “Eu e Ela”...nele digo que minha filha é meu respaldo, meu argumento...
E é verdade.
Amor que vem das vísceras .
Amor incondicional.
Absolutamente incondicional.
Ama-se um filho seja ele como ou o que for.

Ela é minha grande história de Amor.

E não é por meu envolvimento com seu pai, não.
É a minha história com ela.
Fiquei grávida em uma época em que minha noção de amor familiar era algo doloroso.
Família para mim era ruptura, vazio, medo. Era também amor, mas um amor cheio de cobranças, um amor que jamais foi incondicional.
Amor de mãe para mim era um Mito. Surreal.
Aos 20 anos de idade eu chegava em meu trabalho, na Av. Ipiranga, ia até a sacada e pensava: Céus! A vida não vale nada! É só cair daqui e tudo acaba!

Aos vinte anos de idade descobri que estava grávida e não tinha a menor vontade de formar uma família com o pai de minha filha.
Mas em meu ventre se formava minha nova família. A família que eu queria, a família que eu faria. A família que me ensinaria o que amor de mãe, de pai, de irmão.
Minha filha me fez olhar pra cada um com novo olhar.
E principalmente me fez olhar no espelho com um novo olhar.

A primeira palavra que ouvi foi: Se quiser tirar eu te ajudo!

Eu nunca, nem por um único minuto pensei em tirar.
Minha opinião sobre o aborto é controversa.
Não era esta a questão.
Eu poderia ter feito. Porém não havia em mim uma única centelha deste pensamento.
Ela se tornou meu respaldo, meu argumento, minha força.
Não minto, e quem me conhece daquela época pode atestar, que por ela mudei todos os meus rumos.
Por ela me coloquei no Prumo, por ela descobri que havia um sentido, por ela levantei meu rosto, ergui as mangas e fui ganhar a vida no peito.
Por ela comecei a pensar duas vezes antes de fazer escolhas... por ela até comecei a atravessar no faixa de pedestres e esperar o sinal ficar verde.

Desde de o dia que a senti pela primeira vez percebi que ia ser um amor complicado.
Era parte de mim. Feita do meu sangue, da minha carne.
Sairia de dentro de mim.
Todavia não seria eu.
Céus, era outra pessoa! Como podia então a dor dela doer em mim???!
Como podia então a alegria dela ser minha, e seus sonhos serem mais importantes do que os meus????
...


No começo é tudo tão misturado que nem percebemos que somos duas e não uma.

É troca máxima de contato, de intimidade...
não há em outra forma de amor contato mais profundo nem mais destituído de receios...
Mas ai os anos passaram...e ela começou a mostrar-se...então um dia se torna inevitável a descoberta: o serzinho saiu de mim e não sou eu. É feita de mim e é minha melhor parte, porém não sou eu.

E ai passei a ter certeza que seria mesmo um amor complicado.
Amor dos mais profundos, a mulher mais amada de minha vida, minha menina, meu grande amor!

Menina que me ensina a ser mãe, me ensina a ser gente, me ensina a buscar meus sonhos.
Menina que me ensina a ser mulher.

Há algum tempo quando me separei pensei que seria legal ficar sozinha um tempo.
Mas logo descobri que a sufocaria com meu amor e que o melhor que eu tinha a fazer era cuidar de minha vida pois da dela ela já queria cuidar.
...e assim meio de longe, errando e acertando,
... todos os dias eu sigo amando.

E se é possível que seja assim: cada dia amo mais...todos os dias!.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Esperança

Tenho um texto fresquinho pra por aqui.
Mas ando sem tempo.
Amanhã quem sabe consigo postar.

Por hora aos que convivem comigo devo dizer que:

Não por acaso hoje vim trabalhar de Verde.
Verde segundo reza a lenda é a cor da Esperança.
Quando abri o armário de manhã tomei cuidado de escolher a cor certa.

Meu sobrenome é esperança.
Mas não uma esperança apática,não uma esperança preguiçosa que se esconde atrás de um discurso de fé e sentada espera.

Minha esperança caminha pelas ruas buscando meus sonhos e se for preciso o carregará nos braços

...Mas hoje não falo de sonhos.
Falo de amor.
Minha dor, esta dor absurda que sinto no peito, não é mair que minha esperança.

...por isto o verde.
Existe uma ordem natural na natureza e esta ordem precisa ser mantida.
Os velhos vão primeiro, depois os jovens...
É assim que deve ser.

Pensei que quando chegasse o dia eu estaria pronta.

Descobri que jamais estarei pronta.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

'Eu, todos os dias...' O Grito da Coisa.

Escrevi este texto na sexta feira fatídica que o Brasil foi desclassificado da Copa do Mundo 2010 pela Holanda, dia 02/07.

Decidi que o publicaria aqui no dia 14/07, pois descobri que nesta data se comemora o dia da Liberdade de Pensamento.

Na Declaração Universal dos Direitos Humanos promulgada pela ONU, são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem. No artigo XIX esta disposta a seguinte observação:

“Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.

Depois de quase sete meses sem ter tempo para caneta e papel resolvi que preciso voltar a escrever!

Minha primeira página aqui em agosto de 2008 foi um grito.

Aqui sempre foi e sempre será o grito da coisa.

“Eu, todos os dias...”
é o nome poético do grito da coisa.

Antes de voltar a escrever aqui, nem sei ainda como farei isto, mas antes de começar minhas postagens novamente vamos discorrer sobre a coisa e seu grito.

A coisa é algo que faz barulho dentro de mim.

Há tempos de silêncio e neles eu posso ser “normal”.
Porém quando começa o barulho eu preciso falar e falando não sou capaz de sossegar minha alma.
Falo por quantos poros tenho, enlouqueço a quem amo (e só quem convive comigo sabe o quanto isto é verdade)mas mesmo falando tanto não sou capaz de sossegar o germe que me come por dentro e castiga meu corpo.

Existe uma coisa dentro de mim que é maior que meu corpo.

Esta coisa que os espirituais chamam de alma, que os psicólogos chamam de consciência que os céticos juram que não existe e morre com o corpo; esta coisa que sinto tão intensamente sou Eu.

Esta coisa, que creio imortal, dentro de mim foi colocada em um corpo frágil carregado de imperfeições estéticas e de misérias sociais.

Esta coisa chamada Eu foi colocada dentro de um corpo de mulher e todos sabem das lutas para que a mulher conquistasse o direito vital, imprescindível, de pensar.

Não, não pretendo discursar sobre os direitos das mulheres. Não me dou este direito pois nunca militei esta causa. Herdei um legado conquistado por mulheres antes de mim e fui educada por um homem (meu pai, que sem saber ser pai ainda assim é o melhor educador que conheço) que reconhece o Ser dentro do corpo de mulher.


Esta coisa que temos por dentro dos corpos, que “bule” que mexe, que consome, que cresce ou adoece...esta coisa tem o sublime direito de se manifestar.

A Manifestação da Coisa acontece através do pensamento.
Durante séculos a mulher penou para ter o direito de pensar.
Morremos queimadas só por querer pensar e pensando manifestar-se.

A coisa que carrego dentro de mim lutou estas lutas com as mulheres do passado e morreu junto com elas para ter o direito de viver novamente em um corpo que pudesse escrever!!

Um dia uma mulher como eu morreu em uma praça para que eu tivesse o direito de ler e escrever.
Ela morreu com a pena suja do seu próprio sangue para que hoje eu pudesse teclar com os dedos esfomeados...
...é esta a coisa que grita e me consome quando eu não escrevo...

Isto remexe dentro de mim e me desespera, falo pelos cotovelos, fico ansiosa e segundo minha amiga Rita de Piracicaba preciso de um amansa leão.
Ela com seu jeito mineiro de ser piracicabana me diz : “Calma Eliana, calma.”
Nas poucas vezes que nos encontramos eu confessei a ela meu desejo pelo silêncio, minha necessidade em conseguir me calar..
Foi ai que eu percebi que “a coisa” não se calaria enquanto eu não escrevesse.

Não importa se meus pensamentos podem influenciar alguém, não importa se alguém vai saber o que penso, mas eu preciso manifestar o que penso e mudar meu pensamento tantas quantas vezes eu quiser.
Viver a “Metamorfose Ambulante” da qual já falou o Raul. (Seixas).
Preciso exercer o direito de pensar e mudar de idéia tantas quantas vezes forem necessárias e me permitir ter conceitos errados para poder corrigi-los, acreditar hoje e desacreditar amanhã.
Esta coisa que tenho por dentro precisa opinar.
Preciso opinar senão piro pois a coisa que trago dentro de mim já morreu um dia para que hoje eu pudesse pensar.

Sei que a coisa que trago dentro de mim é louca e vou enlouquecer junto com ela se não separar um tempo para escrever.
Preciso de Silêncio.
Preciso me calar e escrever.
Preciso de noites insones para escrever e não deixar meu coração explodir.
Meu corpo vai explodir em formas diferentes de dor até que eu escreva.
...só pela palavra que loucos antes de mim conseguiram suportar a cadeia de seus corpos.

Começo hoje a buscar o caminho da livre manifestação do pensamento.

Dou Graças ao Supremo pois não tenho e jamais terei a pretensão de ser escritora.
Eu sou Secretaria. Amo minha profissão.
Sendo secretaria por vocação sou livre para escrever sem ter “o compromisso estreito de falar perfeito, coerente ou não”, como já dizia Oswaldo Montenegro.

Sou livre para pensar o que bem entender, sou livre para ter conceitos errados por pura falta de informação e/ou cultura.
Sem cultura e sem informação ainda assim sou livre para manifestar o que penso, mas não sou livre para me calar.
Algumas pessoas não são livres para se omitir.
Algumas pessoas carregam o fardo de não poder se calar diante das baboseiras da vida.
Estas pessoas manifestam-se ou morrem.

Ou se libertam de si mesmas quando enfim compreendem que já foi pago um preço muito caro para que hoje eu e você tivéssemos o direito de pensar.

...Continuarei com o “Eu, todos os dias”... só peço que não me rotulem.
Só peço que não me perguntem o que escrevo se é crônica, poesia ou romance...
Entre o Verso e o Grito fico com o Grito.
O que eu escrevo é tão somente o grito da coisa que não me deixa ficar quieta pois não cabe dentro do meu corpo.

Vou providenciar um jeito de voltar a escrever...
Por hora caneta e papel no meio da noite será o caminho.
Depois jogo tudo aqui que é e sempre será o lugar que criei para deixar “...eu, todos os dias.”

Vamos lá?

Maktub.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Parabéns a Seleção!

Parabéns a nossa Seleção!!!
E me desculpem, parabéns ao Dunga e até ao Maradona!!!
Parabéns a todas as Seleções que fazem o campeonato ser o que é.

Parabéns aos que perdendo entregam na grama seu suor e suas lágrimas.
Dunga que afinal é zangado, parabéns!
Maradona! Que belo tango nos proporcionou com sua paixão!

Parabéns aos que se empolgam e nos empolgam, aos que vibram e quando perdem emprestam com sua derrota as cores que compõem a Copa do Mundo!

Não tenho o compromisso de entender de futebol.
Tenho paixão e isto me basta, por hora.
Entendo apenas que a Copa do Mundo não é feita só de futebol e da vitória de um único país, no caso o nosso. Sim somos Penta, mas esperamos mais trinta e quatro anos para ser Tetra. Posso esperar mais que oito anos para ser Hexa.

Copa do mundo é feita sim de técnicas futibolisticas mas também é feita de sangue suor e lágrimas. É feita de algo que só os Deuses do Olimpo podem explicar: da emoção que junta famílias em casas, ruas e bares...e por fim junta toda uma Nação.

Torci como louca, gritei até o último minuto de nossa desclassificação, pois se fosse perder que fosse só de dois.

Eles se desesperaram por saber que nossa nação não sabe perder e eles seriam vistos apenas como derrotados, e logo um levaria o nome da culpa.

Teriam que ter uma história qualquer, mirabolante,um ataque qualquer de um dos jogadores ,pra justificar a derrota ou o meião sendo levantado pra ser o bode espiatório da história como nas copas passadas.
Portando ao meus olhos até a instabilidade emocional deles é justificada diante de uma nação que precisa aprender a perder a Copa do mundo com a mesma alegria com que ganha.

...Por mim basta dizer que a Copa só acaba quando acaba, a bandeira do Brasil que estava no carro na sexta-feira, lá permaneceu, e no sábado de manhã foi colocada na fachada de minha casa, bem na frente como um sinal de que eu estava derrotada porém assisti a melhor derrota desde 98! Derrota que não me deixou com vergonha.
Não fiquei com gosto de ferrugem na boca, me perdoem o trocadilho.

...culpado? o chapéu da sorte que esqueci em casa.
Fui torcer em Santa Isabel e esqueci largado sobre a mesa o chapéu do Brasil com o qual assisti todos os jogos. Sem ele na cabeça não saia gol.

...Culpa minha, minha máxima culpa!

Beijo em todos das
seleções derrotadas que souberam ser derrotados.
(Costa do Marfim não entra nesta)

Nâo foi desta fez que veremos Brasil x Argentina...

Adios Maradona.
Até logo Dunga.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Desde sempre.

Ele sorriu.
Era uma tarde fria e o sol conversava com eles.
Lá estava ela.
Mal podia esperar por este reencontro.
Por tantos anos haviam se perdido, construído suas histórias um longe do outro.
Mas jamais haviam se esquecido.

Amigos desde sempre, guardava no peito as lembranças daquela menina, quase moleque com quem dividiu parte de sua vida através dos tempos.
E ela jamais esquecera o cheiro que ele tinha.

Sentaram-se às margens da represa e de início só se olharam.
Durante muito tempo combinaram aquele momento.
Mas a vida cuidara de os manter distantes, construindo suas histórias.
E agora estavam ali. Podiam enfim se sentir, devorar-se com os olhos.
Ela sentou-se de frente para ele, com as pernas cruzadas, usava uma saia longa, macia que lhe permitia os movimentos.
Estendeu os braços e tocou-lhe o rosto.
Ele agarrou sua mão e levou aos lábios. beijou sua mão, seus dedos, e a manteve entre as suas.
Começaram então a recapitular suas vidas, contando primeiro rapidamente, misturando datas e lugares; depois pausadamente; o que acontecera a um e a outro ao longo de suas vidas, todas elas.

Mudavam de posição a todo tempo, mas nunca deixavam de se tocar.
O toque era parte do encontro.Sempre havia o contato, com calor e carinho, suas mãos, suas pernas, seus braços sempre estavam enroscados.
Agora ele estava deitado no colo dela, enquanto seus dedos brincavam com os cabelos dele, ele contava-lhe seus projetos futuros, os sonhos que o levavam pra outros caminhos que não os dela. Mas ela não se importava pois sabia que sempre se reencontravam e neste momento um era do outro.

A mão dela vez ou outra escorregava e ela alisava seu peito quente, e sentia sua respiração mudar.
Nestas horas tirava rapidamente a mão pois havia entre eles um tácito acordo...

A noite caiu sem que se apercebessem, já haviam consumido o vinho que ele trouxera e a brisa da noite, com o ligeiro torpor do álcool fez com que ela quisesse agora o colo dele.
Deitou se olhando-o nos olhos e enquanto sentia o cheiro dele misturar com a noite lhe contou de sua vida.. Contou-lhe que era feliz, que amava e era amada, contou-lhe dos seus planos, e que seus planos a levavam pra longe dele, e ele não se importou, pois também sabia que desde sempre se reencontrariam...

As mãos dele hora lhe acariciavam os cabelos, hora desciam pelos braços.
Os olhos dele se perdiam nos dela, e vez ou outra escorregava pelo decote generoso de sua camiseta...via-se o contorno de seus seios...eram pequenos e por um segundo ele pensou que caberia em sua boca. Desviou o pensamento pois havia o acordo.



Mas não pode resistir ao apelo da curva de seu pescoço que pedia para ser beijada.

Antes que ela terminasse uma frase ele suspendeu o corpo dela em direção ao seu e lhe beijou o pescoço. Sugou-lhe o perfume, e deixou que sua boca entreaberta sentisse o seu gosto. Pode sentir seu corpo arrepiar-se em direção ao dela, e quando se afastou viu fogo nos seus olhos.

Ela levantou-se sorrindo e correndo como criança foi em direção a represa.
Molhou os pés, a barra da saia, a saia toda, deixou a água molhar todo seu corpo, e o tecido fino deixou como nua.
E assim, molhada, voltou para perto dele.

Antes que algo fosse dito, abraçaram-se...

Ele acordou.
Seu corpo aos poucos tomou consciência e que estava sozinho em sua cama e mais uma vez sonhara com ela.
Mais uma vez relembrava aquele fim aquele fim de tarde,que em forma de sonho vinha ao seu encontro costumeiramente.

Fechou os olhos e tentou voltar ao sonho a fim de viver o resto daquela noite que jamais seria apagada de suas lembranças.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

...recomeçar é preciso...

...A primavera chegou.
A vida segue seu ciclo...inverno, outono, primavera, verão...

A vida segue sem medo de mudanças, sem medo da renovação.
Segue sem dar explicações, simplesmente cumpre o seu papel de prosseguir...os dias seguem sem medo.

Recomeçar é preciso. Eu tenho me tornado mestre na arte de recomeçar.
...talvez eu tenha feito muitas escolhas erradas pelo caminho, ou talvez eu so não aceite menos do que acredito.
O fato é que a primavera faz bem a minha alma e eu me permito florir junto com ela. Sem medo de meus botões virarem flor, sem medo do vento ou da neblina, sem medo de tentar novamente.
...apostarei minhas fichas, meus sonhos, meus versos, apostarei o que sou pois ainda acredito em finais felizes...acredito que os finais felizes são construidos todos os dias por milhares de pessoas que aprenderam a construir juntos uma só história.
...Que a primavera cumpra seu papel em mim, e que o verão venha pra celar o ciclo de vida que se renova a cada estação.
Que o amor finalmente encontre abrigo no meu peito e que eu possa parar de partir.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Valores.

É interessante notar como algumas pessoas possuem valores diferentes dos nossos. Neste caso entenda por nossos os meus.

Para alguns o que realmente importa não é o que está sendo feito, mas o que as pessoas pensam que estamos fazendo.

Eu francamente tenho meus critérios para preservar minha intimidade mas francamente não sou adepta de falsos moralismos.

Penso em passar para minha filha o exato conceito de quem sou, a ideia de que sou uma mulher com sentimentos, assim como ela, que sofro decepções assim como ela, e que o meu valor quem estipula sou eu, assim como ela.

Ao terminar um relacionamento há alguns meses atrás me vi confrontada com isto.
Ouvir conselhos do tipo: Saia com quem quiser, desde que ninguém fique sabendo.
Como assim?
Não consigo acreditar nestes critérios.
Eu ainda carrego a ilusão de que devo partilhar com minha filha, minha história, por mais que não seja a história que eu gostaria de ter escrito.

Nenhuma moça sonha em ser mãe solteira aos 20 anos e divorciada aos 32.
eu não preciso que me contem minha história.
Eu a conheço muito bem pois foi com o rosto erguido que eu a vivi.
Esta é a minha história, história que assumi integralmente e da qual não me envergonho.

Estou disposta a reconstruir minha história e para isto preciso recomeçar.

E recomeçar exige coragem e desprendimento, e mais que isto gera enganos, mas pago o preço dos meus enganos sem jamais ter creditado na conta de outros nenhum deles.
Assumo minhas verdades e meus enganos.
Pago o preço pra ser dona da minha vida e não posso me envergonhar dela.
Não posso mascarar minha história simplesmente por não conseguir entender o motivo pelo qual deva fazer isto.

Minha filha precisa ser capaz de ver em mim alguém além de uma mãe.
Quero que olhe para mim e veja uma mulher em todas minhas virtudes e fraquezas.
O meu valor não pode ser ditado pelas pessoas que passaram por minha vida e principalmente não pode ser ditado pelo que as pessoas pensam sobre isto.

O meu valor como mãe e como mulher precisa estar acima disto.
Eu não posso e não vou viver de aparências.
Já bebi desta água e tenho nojo dela.

Eu sei quem eu sou. E não aceito que me rotulem.
O meu rótulo quem coloca sou eu.
Pago o preço de assumir minha vida e francamente não vejo motivo para fazer diferente.
Valores são valores: cada um tem o seu...
Eu vivo de acordo com os meus. E fim.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

...sem eu saber sequer...

...Só me resta a frase do poeta pra descrever-te em mim:

“Porque já eras meu sem eu saber sequer...”

...sim, é assim que chegaste,
sendo meu sem que eu sequer soubesse...
Porque me olhaste e neste olhar primeiro me elegeu pra ser sua,
Porque seu riso invadiu o meu mundo, tirou as letras do lugar,
Virou-me do avesso, menino travesso.

não pude deixar-te partir...
Ah, bem que tentei recusar, disfarçar, recuar...
mas, como deixar-te ir sem colocar-me inteira em ti?
Como deixar pra depois a vontade do agora e do mais?
Como esconder este riso, que me toma inteira quando me perco no som de sua voz?
E teus olhos que devoram os meus, tua boca que nasceu pra ser minha, e suas mãos que se entrelaçam e fazem parte de mim?
Não, eu não pude deixar pra depois...
Esconder de quem se sua vontade é a minha, se meus planos são os teus, se nosso caminhos se misturam?
Nossos caminhos tem o cheiro de terra molhada, tem cheiro de capim gordura, nossos caminhos são os mesmos,
nossas vontades as mesmas, nossa boca uma só,
nossos sonhos um do outro.

...e assim como disse o poeta, “tu me chegaste sem me dizer que vinhas”...
...agora fiques, faça morada em mim, construa seus castelos junto dos meus, misture tua terra com a minha, tua musica com a minha, tua pele em mim...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dia Da Secretária.

Ontem quando sai do trabalho deparei-me com uma moça carregando um lindo buquê de rosas vermelhas... Lindas como se fossem feitas de veludo.

Um capetinha de plantão logo balançou seu tridente aos meus ouvidos dizendo: “Nossa o que faz uma mulher para ganhar um buquê tão lindo?”
Meu anjo, sempre disposto a intervir logo sacudiu sua harpa gritando: “Não, o segredo não é o que a mulher é ou faz. O problema é que você tem estado com os homens errados.”

...E nesta pendenga entre os valores e motivos logo trombo com outra jovem com flores nas mãos, e outra, e mais outra...
Comecei a achar que ai já era desaforo, aquele monte de mulheres recebendo flores...

Ah, salva pela lembrança: Ufa, é dia da secretária! De novo meu anjo arrebentou na sua função de manter em dia minha auto-estima.

...o fato é que cheguei na faculdade com as tais rosas de veludo brilhando nos meus olhos, partilhando o fato com algumas colegas logo colhi diversos comentários sobre o quanto gostamos de um lindo buquê de rosas.
Uma mencionou que seu marido já lhe deu uma orquídea plantada, caríssima, mas tudo que ela queria era um buquê de rosas.
O marido alega que as rosas logo morrem...
Eureca! É isto!
É exatamente isto!
Receber um buquê de rosas significa que o homem é capaz de rasgar dinheiro por você.
Ele gasta em algo que certamente morrerá, etéreo e lindo, talvez como será a paixão, mas o buquê tem algo que faz sentir o homem rendido diante de nós.

Gosto de flores em vasos, mas um homem te esperando com um buquê nas mãos é algo que nos comove talvez por sermos seres etéreos como rosas colhidas.

...o fato é que alcançamos a independência, somos plenas, dinâmicas, múltiplas, versáteis, únicas e absurdamente capazes, mas ainda nos desmontamos diante de um homem carregando um buquê de rosas.

E viva o Dia da Secretária!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Quero a cor dela.

Quero a cor,
A cor que sustenta o batom,
que dá tom a face,
que dá face pros desenhos.

A cor que alimenta o papel,
a cor que enfeita o balão, balão que some no céu.
Não pode mais fazer balão e a cor se esconde pelo chão,
em folhas coloridas jogadas pelo quarto.

Quero a cor que tinge os cabelos,
Quero a cor que pinta as unhas,
Quero a cor que colore a blusa.

Quero a cor do anel de vidro,
aquele das rodas de cantigas,
Quero a cor do pano,
Quero também o pano,
aquele que eu usava pra dormir.

Quero a cor que pisca no semáforo,
e os carros dançam ritmados com ela,
Quero a cor da faixa amarela,
a que era "bordada com o nome dela",
e também a da plataforma de embarque, que não posso ultrapassar.

Quero a cor que diz para onde devo ir,
aquela que traçada no chão me mostra o caminho,
Quero a cor que dá brilho ao sapato,
a cor que combina com o cinto.

Quero
a cor que desce de mim pra lembrar que posso ser mãe
Quero a cor que escorre do bule, tingindo a porcelana branca.
Quero a cor que rabisca o papel,
Quero a cor do véu, o véu que cobre a cabeça da moça.

Quero a cor marrom, marrom do bombom,
Quero o verde,
o azul e o lilás,
quero o branco, e o preto também.

Quero cores, com memórias e histórias,
quero cores,
cores num buque de flores...
Flores vermelhas, amarelas, brancas.

Quero flores com cheiro dela,
...eu a quero cheia de tons, cheiros, sons.
Quero ela,
Eu quero A PRIMAVERA!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Desalinha.

Desalinha meus contornos com a sua língua,
traça meus desejos moldando minha vontade.

Toca com os dedos meus cabelos, meus lábios, minha face...
Desenha seus traços em mim,
me marca com o compasso que desenha suas formas no meu corpo.
Encosta sua pele na minha pele, sua boca em mim,
seu corpo, rígido, aquecendo o meu que já te espera.

Beija-me primeiro lentamente e depois vá sugando a minha boca, o meu rosto, meu pescoço, minhas curvas até ser perder de si mesmo.
Encosta sua cabeça no meu peito, ouve minha respiração ofegante, sente minhas mãos te tocando, te buscando, te encontrando.

Canta baixinho, no meu ouvido, desnorteia meus sentidos, brinca de me fazer sua.
Levanta-me até a altura dos seus olhos, me sente envolvendo o seu corpo, e me tenhas enquanto olha nos meus olhos.
Deixa-me provar desta sua boca, enquanto sei que estas em mim, indo e vindo me deixando tonta, louca.

Profana meu santuário, derrama de ti no meu ventre, deixa eu te sentir quente,
Afasta-te de mim, devagar, só pra poder voltar.
...e volta quantas vezes puderes,
até que não possamos mais,
e então o seu colo será o meu ninho,
dormirei com o corpo molhado, cheirando a sabonete, colado no seu.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Um personagem exibido em uma novela de uma importante Rede de Televisão tem trazido á tona um assunto que desperta em mim profundos sentimentos.

Já vi o tema em revistas, em programas de auditório e por algumas vezes também em crônicas da mídia impressa.

O Fato é que a esquizofrenia só ganhou o palco por conta do tal personagem.
Mas quem convive com ela; e só quem convive; é capaz de entender em grau e proporção o que se vê na telinha.

Sou da época que esquizofrenia nem existia.
O termo era “louco” mesmo.
No máximo mencionava-se uma depressão profunda.
Não se separava uma coisa da outra, e depressão também não era algo levado a sério.
Depressão era coisa de gente preguiçosa ou desmotivada.

Eu jamais saberia dizer que minha mãe tinha esquizofrenia.
Ouvia dizer que era depressão. Profunda.
E sabia que o que quer que estivesse acontecendo com ela a roubava de mim.
Hoje sei que ela foi roubada dela mesma.

A lembrança mais remota que tenho de minha mãe é
em uma tarde fria, as luzes da casa apagadas, ela no quarto escuro, deitada...
lembro que já fazia muito tempo que eu a chamava pra brincar comigo...(para uma criança de 04 talvez 05 anos saber precisamente o tempo é impossível...pode ser que fosse apenas alguns minutos, mas o fato de esta lembrança ser tão forte em mim me faz pensar que realmente faziam horas que eu a chamava...). Lembro que ela respondia algo, mas a impressão que eu tinha é que não me ouvia de fato.
Eu sentia que ela nem me via mais. Parecia que eu não estava lá.
Hoje sei que quem não estava lá era ela.
Minha mãe já se perdera dentro de si.
...Depois disto todas as lembranças são uma sucessão de ausências.


Sei, por fotos, que ela foi uma jovem bonita, meiga, jeitosa.
Sei, por relatos de vizinhos que era uma dona de casa cuidadosa. (minha irmã conta que deslizava nos tacos da casa, de tanto que ela lustrava)
Sei, por meus irmãos mais velhos que era uma mãe cuidadosa, que era capaz de acordar as 5h da madrugada para buscar o pão fresquinho para minha irmã tomar café antes de ir trabalhar.
Sei, por ela mesma, que adorava cozinhar, que tocava violino, que costurava.
...Mas não me lembro de nada disto.


Sei apenas que aos 6 anos de idade eu já sentia claramente que ela não notava o que quer que ocorresse comigo.
Perdida na sua dor, nas vozes de sua cabeça (hoje sei que ela ouvia vozes) ela estava sempre ausente e irritada. Agressiva. Sempre acreditando que alguém nos manipulava em tudo que fazíamos.


Na época minha irmã do “meio” estava com 10 anos e é dela a lembrança que tenho de cuidados maternos.
Ela que ia até a pré-escola saber sobre mim, (sim, aos 10 anos de idade ela mandava bilhetes para a professora se cismasse que algo errado estava acontecendo).

Os meus irmão mais velhos, nesta época com 16 e 18 anos respectivamente (talvez mais ou menos) viveram o profundo do trama que envolve o preconceito com a doença.
Penso que para dois adolescentes foi insustentável e impraticavel lidar com algo que não era visto como doença.
A agressividade que eles sofriam, por parte da doença e por tudo que tem de frágil o universo juvenil os levaram para longe de nós.


Em um emaranhado de lembranças, todas elas cheias de ausências, vazios, frios e incompreensão do que de fato estava acontecendo, vi minha casa lentamente desmoronar.
Ela colocou fogo em algumas coisas, outras ela ia depenando e esparramando pelo quintal.
O resto foi se deteriorando por falta de cuidados.
E a única coisa que eu ouvia a respeito de minha mãe era: Depressão. Profunda.

Mas o fato é que ela enlouquecera.
Era isto que as crianças gritavam nas horas de provocação.
Louca.
Hoje eu sei que tem um nome mais bonitinho...ou não, o nome também é feio. Mas pelo menos hoje se luta para que tais pessoas sejam tratadas com o respeito que uma pessoa doente merece. E que sua família,igualmente seja amparada, como a família de um doente precisa ser.

Mas o fato, exposto a exaustão pela mídia, é que o preconceito permanece.

...é indiscutível o dilema que a família sofre sobre como tratar a pessoa doente.
Para meu pai, ex-marido, e meus irmãos tenho a impressão que a idéia de interná-la foi algo contra a qual lutaram arduamente.
Mas sem conviver diariamente com o fato, ter dilemas é mais fácil.
Quando se deita e acorda todos os dias com o fato é inquestionável a incapacidade de tratar alguém que já chegou no limite da sanidade.
Sem a internação seria impossivel.
Como encerrar a quem se ama, sabendo que ela será amarrada, sedada e sabe-se lá mais que?
Definitivamente, tenho a impressão que eles lutaram para não fazer isto.

Há 20 anos atrás e ainda hoje, os loucos são alvo de zombaria, e quando vemos um destes vagando pelas ruas dificilmente lembramos que por trás daquele farrapo de gente, sujo, fétido, delirante, existe uma história.
Muitas vezes são confundidos com bebados ou dependentes quimicos.


Eu pude vagar por meu bairro, aos 10 anos de idade, muito mais que uma vez procurando por minha mãe e não raras vezes conduzi-la pra casa sentindo-me profundamente humilhada pelos olhares dos coleguinhas.
Suja, descabelada, delirante, pouco falava e quando o fazia suas frases não tinham sentido algum... e muitas vezes agressiva:
Mais que uma vez eu e a outra irmã que ficou, tínhamos de dormir no chão do banheiro, esperando um surto de raiva passar.

...não vale a pena enumerar todas as situações que trago na lembrança, principalmente por ser uma etapa de minha vida que já foi vencida, e mesmo por que tudo que quero é juntar minha voz a algumas publicações que li a respeito.

Uma delas mencionava que certo deputado defendendo o fim dos hospitais psiquiátricos mencionou que eles só existia por familiares que queriam se ver livres do parente problemático.
O cronista, inconformado, pai de um jovem esquizofrênico, bradava que tal comentário só podia vir de quem desconhece a dor de ver seu querido alucinado querendo atacar a família e muitas vezes agredir a si mesmo.

É impossível conceber o que vive um parente de alguém portador de esquizofrenia sem viver este “umbral” junto.
Só quem vive esta dor poderia se pronunciar.
Como na maior parte das dores.
Nunca diga: eu sei o que está passando, se de fato não souberes.
...conhecimento, letra, informação, nada disso explica a realidade diária de uma dor a conta gotas.

Fim aos hospitais psiquiátricos?
Não tenho conhecimento legal pra me pronunciar a respeito, mas eu asseguro que foi um hospital psiquiátrico que devolveu minha mãe para mim.

Lembro até hoje o dia que ela foi internada.
Era dor e alivio. Alivio pois eu finalmente poderia dormir em paz.
Alivio pois eu não teria mais medo de ela sumir.
Eu não viveria mais com medo de ela se perder na rua, nem teria que procurá-la pelo quintal no meio da madrugada.
Alivio pois pela primeira vez na vida eu tive a impressão de que alguém fazia algo real por ela.

Lembro que tempos depois meus irmãos falaram que ainda havia um “fio” de sanidade nela, e que foi este fio que os médicos começaram a puxar.
Quando a trouxeram de volta nos advertiram que jamais ela poderia ser deixada até aquele estado novamente, ou nada haveria que a puxasse de volta.

...hoje ela conta que muitas vezes teve de ser presa na cama para dormir. Lembra da rotina hospitalar com carinho pois foi lá que ela travou sua maior batalha e venceu.
Venceu porque havia um exercito capacitado ao seu redor e não apenas crianças que já nem sabiam como amá-la.

O período de afastamento profundo deixou marcas.
Ela tem traços e manias próprias do longo período de alheamento pelo qual passou.
Se olharem ela andando na rua sem dúvida perceberão que ela é diferente.
Ela já não toca violino.
Não consegue mais administrar uma casa, ou cozinhar como antes.
Mas agora ela está ali.
Eu sei que ela me vê e eu também posso enxergá-la

Toda vez que ela se afasta, se ausenta, se confunde, o velho fantasma urra aos pés da minha cama.

E eu lembro que não posso deixar que o fio se parta.
Ou jamais a terei novamente

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Responda...

Explica por que esta vontade estúpida,
Esta vontade sem dono, que vem sem ser chamada?

Explica onde foi que perdi meus versos, onde foi que entreguei o pensamento?
Quando foi que meu corpo decidiu por mim que seria seu?
Explica por qual motivo com todos os abraços, e bocas e pousos que eu poderia querer eu só desejo pousar em ti?

Onde foi que o certo se perdeu, e não há mais certo, nem errado nem coisa alguma entre um e outro?
Onde foi que o seu cheiro se misturou com o meu, e não importa os rumos, nem as vontades diversas, importa apenas sentar-me diante de ti e beber de seus olhos, de seus gestos, beber deste seu sorriso que me leva a perdição?

Conta pra mim, porque o som me traz você, e se fico em silêncio você também está lá???

Já decidi não querer, mas quando não te quero percebo que te quero neste não.
Pra não te querer tenho de rasgar os versos, calar a música, o riso, e todos os gostos de todos os beijos...
Na ausência de sua boca não há outra boca onde eu possa te esquecer...
A falta do seu cheiro tem o mesmo cheiro que você.
A falta do seu gosto tem o seu gosto.
A falta que você me faz, traz você mais perto todo dia.

Conta-me por que no meio da noite acordo perdida, os pensamentos confusos, sua voz me chamando, e você não está mais lá...,
Responda-me, explica-me...
Ajuda-me a te tendo tão perto de mim,
te levar pra longe daqui...

Responda-me,
mas sem artificios,
sem buscar maneiras de parecer mais fácil do que é,
responda apenas como faço pra te tirar daqui...
...de mim.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

...aplausos.

Não acredito mais em uma porção de coisas que já acreditei um dia.
Mas acredito que reencontrarei as pessoas que marcaram esta minha vida.
Pessoas que contribuíram pros rumos que tomei.
Acredito que não existe Adeus.
Mas acredito na importância de festejar, homenagear, os que cumpriram sua missão.

Nada ainda foi capaz de tirar de mim a certeza de que dentro deste corpo perecível é que mora quem somos.

Nós não somos este corpo, muito embora ele seja meu grande aliado na vida.
É nele que faço minha morada, é ele que externa quem sou.
É nele que sinto e através dele que posso ser sentida.
É ele que abriga a verdade que pulsa e leva meu nome e por isto muitas vezes tento protegê-lo de mim.
Minhas vontades ou falta delas podem agredi-lo, e vezes diversas percebo que ele dá contorno aos meus sonhos ou me traz de volta a realidade por suas infinitas limitações.

...mas a despeito de toda a importância e apego que eu tenha com ele, nada me convence que somos um corpo e só.
É algo forte que vejo nos olhos de minha filha e me faz ter certeza que é dentro daquele corpo que mora minha princesa.
É algo que se vê dentro dos olhos de qualquer pessoa que saiba que é eterna.
È algo que se encontra quando abraça um amigo, e naquele abraço descobre o mais forte dos amores.

Eternos.
Somos eternos.
A despeito do que tenham nos contado, a despeito do que o credo de cada um forneça como explicação, o fato imutável dentro de mim é que somos eternos.

Creio na eternidade disto que alguns chamam de alma.
De que forma, como e onde?
Não sei...
E francamente????Nem me importa saber.
Creio que nem devemos saber.

Não é pra isto que estamos aqui.
Não é pra saber o depois, embora muitos de nós percamos todo o caminho na busca de saber ou garantir o depois, não é pra isto que estamos aqui.

Estamos aqui pra aprender o Agora.
Para honrar o Agora.
Pra justificar o Agora.
Pra contagiar e contaminar os espaços que ocupamos com a oportunidade que este Agora nos concede.

E, importante me fazer clara, este Agora não é o mero hoje vivido intensamente, o Agora é o espaço de 15, 48, 50. 56, ou 61 anos que nos for dado viver, dentro disto que pensamos ser nós.
Estamos aqui pra cumpri nosso papel, inteira e integramente. Durante todo o tempo que durar o agora.

...e então no derradeiro momento de deixar esta morada, que seja com o profundo sentimento de haver cumprido aquilo que devíamos, e podíamos e queríamos.
...e ai, tudo faz um pouco de sentido.

Tudo se torna uma festa, pois então não será adeus, será apenas um breve tempo até que possamos finalmente entender que o mais ainda está por vir.

...as pessoas que me conhecem de verdade, e conhecer não é ver este ser falante e confuso que sou muitas vezes, mas os que conhecem parte do que sou de verdade sabe que brinco muitas vezes dizendo que ao longo da vida espero fazer ao menos 06 amigos de verdade.
Pois existem amigos que são mais que irmãos,
pois mesmo que o tempo e a distancia mudem seus rumos, suas almas ficam ligadas de uma tal generosa forma que um sempre saberá por onde anda o outro.

Eu quero, na partida, velhinha se possível, que tenham seis velhinhos (as) pra lembrar de mim coisas que ninguém mais saberá....e serão eles que me prestarão homenagens de partida.
Cada vez mais tenho certeza da importância dos laços criados ao longo do caminho, e cada vez mais a certeza da Eternidade muda quase todas as escolhas.

Aos 20 anos de idade eu nem sabia pra onde ir.
Só sabia que tinha um bebê que precisava de mim pra viver.
Eu tinha tanta urgência e tanto desejo de entender tantas coisas mas me perdia nesta busca e restava-me apenas lutar pra suprir o hoje.

Aos 20 anos Conheci uma pessoa, a primeira amiga que tive longe do meu local de nascença,
Longe dos preceitos que conheci como sendo verdades absolutas; e esta pessoa sem fazer um único discurso, apenas com seu exemplo de amor e doçura acendeu em mim o vislumbre da idéia de que Sou eu a responsável por minhas escolhas e colho o fruto de cada uma delas.

...esta pessoa me chamou de filha, me lembrou que eu era forte e que sou eterna.
Lembrou-me que eu tenho tudo o que preciso pra honrar minha existência e que o mais eu posso conseguir, e se não conseguir era porquê de fato não precisava...

Hoje é pra esta mulher que conheci ha treze anos minha saudade e minha alegria.

Alegria pois tenho certeza que ela fez bem mais que seis amigos ao longo do seu caminho.
Alegria pois, de forma indireta, e também direta, devo a ela o fato de eu estar no meu caminho...Não sei se vou conseguir chegar, mas sei que estou no caminho de encontrar a pessoa que sou.
Devo a ela a certeza de que ainda que eu morra sem chegar, isto não importa...não será o fim.

...permito-me chamá-la de amiga, mas na verdade ela não foi minha amiga: Foi um anjo em minha vida. Sem dúvida.

Amiga: Siga em paz.
Nós nos reencontraremos, de alguma forma, tenho certeza.

Faço a ti minha homenagem em forma de letras, pois não me é dada outra forma de te homenagear.
Um beijo.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

...Quando o adeus é só o começo.

Desespero de minh’alma,
Desassossego que me trouxe sua presença e logo em seus braços fui encontrar pouso.

Logo ali, em sua vida sem rumo, fui achar sossego pro meu corpo, pros meus gostos pros cheiros todos que sempre procurei.

Não havia em você nenhuma verdade, e mesmo assim abracei-te tão forte que quis te ter dentro de mim.
Todas as vezes que mentia pra mim eu acreditava...
O teu cheiro foi fazendo parte do que eu era.
Abraçar-te era pouco, eu queria estar dentro de você.

E mesmo assim você se foi, perdido nas suas noites mal-dormidas, nas suas histórias mal contadas, nos seus afagos já negados.

Mesmo que eu te quisesse, mesmo que eu aceitasse, mesmo que eu tivesse me calado sei você que teria partido.

Teria partido, pois construímos um abismo entre nossas vontades, entre nossos sonhos, entre nossos quereres.
Teria partido, pois eu ainda não sei servir a outro alguém.
Teria partido, pois o que procuravas em mim não poderia encontrar.
Sou feita de outro tipo de matéria, e isto que urge em mim precisa ser moldado pra enfim pertencer a outro alguém.

Posso amar-te, e beber do seu gosto, mas não posso corromper meus sentidos.
Não posso negar minhas asas, cortar meus caminhos, romper com meus princípios.

Amava o cheiro da sua boca, e se fechar os olhos ainda posso senti-lo.
O seu abraço foi o melhor abraço que eu já tive e o seu beijo fez poesia em mim.
...mas existe um lugar onde quero chegar e lá eu só posso entrar acompanhada de quem sabe onde está indo.

Eu me desmonto sem você, mas ao teu lado eu perdi o brilho o senso o rumo.
O medo de perder-te fez de mim fraca, falha, desnorteada.
O medo de perdê-lo me fez perder-te mais rápido,
mas quando te perdi percebi que finalmente eu havia me encontrado novamente.

Eu sei onde estou indo.
Sem você fará mais frio, não haverá música, não haverá torcida, nem afagos, mas eu vou chegar.
Vou pra lá sozinha se for preciso, mas vou chegar.

...Ainda que tua falta me maltrate,
Não ter você será apenas mais um motivo pra eu caminhar.
Eu sei que tem uma quantidade enorme de coisas grandes esperando por mim...e eu vou buscá-las.

Te perder me fez ter certeza que estou no caminho certo e que este caminho, se for preciso, trilharei sozinha.
Um dia nos encontraremos.
Até lá espero estar imune ao que o teu cheiro me causa.

E que nem mesmo o desvario de meus amores me faça implorar pelo ultimo beijo...o beijo que não demos.

Que em nosso futuro encontro eu te encontre devidamente encontrado consigo mesmo.
Que você encontre rumo nos seus dias, e eu, certeza nos meus.

E ai... Ai terei certeza de que o adeus só nos fez bem.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Amor com cheiro de pão.

Madalena o espreitava todos os dias, por traz das grades do portão velho da casa igualmente velha.

Ela já sabia o horário que ele iria sair pra comprar pão.

Aprumava-se toda e descia as escadas correndo, grudava o rosto na grade fria do portão.

Olhos brilhando na certeza de que dali a pouco ele surgiria diante de seus olhos.
Cabelos molhados, camiseta, bermuda, chinelo havaianas.

Ela poderia sentir o cheiro de sabonete, mesmo assim de longe.
E quanto voltava o cheiro dele se misturava ao cheiro de pão quente que a imaginação dela produzia.

Ele iria olhar pra ela de rabo de olho e fazer de conta que não notava que todo dia ela estava lá...esperando por ele.

Depois de alguns meses ele mudou o horário de buscar o pão, ou não buscava mais.

Ela resolveu montar guarda cada dia em um horário, em turnos de duas horas, durante toda a manhã, de forma a descobrir que horas afinal ele buscava o pão.
E logo descobriu que agora quem buscava o pão era dona Emercina, a mãe do rapazote.
Pensou em perguntar por onde andava o menino...mas desistiu...seria ridículo.

Resolveu então descobrir se havia outro horário que ele passasse em frente ao seu portão.
Logo descobriu que não.
Ele evaporou no ar.
E assim foi durante um longo mês.

Até que em uma fria manhã da primeira semana de agosto ele passou de novo.
Ela, sentada nas escadas, já desistira de esperar por ele.
Apenas descia, no mesmo horário, pois já virara um costume e de certa maneira era uma forma de senti-lo perto.
...e ali sentada, olhar perdido no muro do outro lado da rua, ela o viu passar.
Perfumado. Camisa de manga comprida, calça jeans, sapato de couro.
O cabelo com gel modelava o rosto de anjo e o andar já não era mais do menino que conheceu. Agora ele andava estufando o peito, ombros largos marcando a camisa de pano fino.
...Olhou na direção dela.
E sorriu.

Madalena agora sabia que ele não era mais o moleque bobo que fingia não vê-la.
Finalmente ele sorriu para ela!

E na manhã seguinte de novo e na outra também.
E logo não era ela somente que o esperava pela manhã. De tarde quando ela saia do colégio era ele que a esperava na frente do portão.

E de pão em pão, sorriso em sorriso foram travando este contato diário.

...nunca ser falaram.

Logo ela começou a trabalhar, estudar a noite e nunca mais o viu.


Anos mais tarde, sempre que ia comprar pão lembrava-se dele.

Lembrava do menino que passava férias longe e sempre que voltava parecia ter crescido um palmo.
Lembrava do cheiro de sabonete, do cabelo com gel e do sorriso largo.
E sempre acrescentava ao cheiro dele, o cheiro de pão quente.

Lembrava da última vez que o virá, na porta do colégio, no último dia de aula.

Pensou que ele viria falar com ela, mas ele apenas sorriu.
Sorriso largo, mas tímido, de menino.

E seria esta a doce lembrança que o pão quente sempre lhe traria.

Até que um dia, ao sair da padaria esbarra em um homem...

Rosto marcante, com uma “sombra” de barba por fazer, cabelo com gel...
Ele pede desculpas pelo esbarrão e sorri.

...o sorriso... Sim! Era ele!

Ela devolve o sorriso, estende a mão e diz:

- Muito prazer, meu nome é Madalena, há anos que te vejo comprando pão.

Soltam uma gostosa gargalhada e voltam juntos pelo caminho, prenunciando que em breve só um deles iria comprar pão.
Para os dois.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Fim.

Depois de iniciar um sem fim de linhas inacabadas percebo que não há nada para escrever sobre o assunto.
Nada.

Apenas a certeza de que quase sempre se paga um preço alto demais por acreditar.


...o bom é que é inverno.
E fim combina com inverno.
...o outono irá chegar e junto com suas folhas amarelas pode ser que o vento leve pra longe de mim a saudade.

Mas e se não levar?

Fim. Fim e ponto.
Odeio pontos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Insana.

Louca.
As roupas sujas, o cabelo despenteado, seu olhar perdido.
A noite toda parece estar dentro dela.

A voz rouca não sabe cantar, a boca seca como seca é a vida.
Os braços que outrora produziam sons, agora pendem ao lado do corpo e nada parece fazer sentido.
A rua longa.
As pessoas, todas, insuportáveis.

Em sua insanidade ela pensa que não a enxergam.
Acredita que só ela vê tudo, pensa que seu corpo enfadonho esconde-se atrás de seu silêncio. Se não responder será como se não estivesse ali.
Então se cala.
Ouve, mas faz que não está lá.
Calada pensa que se torna invisível e invisível não precisa ser gente.
Não precisa mais ter imagem, ter rosto pintado, boca manchada pelo batom.
Pode esquecer os cabelos em um novelo, como se fosse lã abandonada.
A pele sem vida, as mãos ásperas.
o corpo encurvado que sangra todo mês , insiste em lembrar que ela ainda está ali, mas ela pode mentir, dizer que não viu, que não sabe, que não é.

Anda pelo quintal, com fome.
Ela ainda sente fome.
Tanto faz se é dia, se faz sol, se é frio. Não sente frio mais.
O frio que vem de fora não pode alcançá-la. Nem o calor. Nada a alcança.
Nem a voz delas.
Nem a ausência dele.
Só as pedras que junta nas mãos e carrega pra um canto do quarto. Só as pedras a tocam.
As pedras que junta na mão e com calma escolhe no quintal.

As pedras estão ali. Ela não.
Ela já se foi, e só o corpo que sangra, permanece andando pelo quintal.
Louca. Insana. Completamente sozinha.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Princesa perdida.

O quarto cheio de fumaça intoxicava seus pulmões.

O lugar simples, beirando o promíscuo, em nada a incomodava.

Seu ser era volátil, e seu corpo acostumara a repousar dias em lençóis de cetim, dias em colcha cheirando a mofo.

Culpa de uma infância miserável passada em uma casa cheia de ratos de onde vez ou outra era tirada pelo padrinho que e levava a restaurantes e hotéis requintados.

Ele dizia que era para ela saber como se comportar em lugares “finos”.

E assim desenvolveu uma personalidade mista: Horas mesquinha e vil como uma ratazana suja, hora delicada e sutil como uma dama perfumada.

A fumaça não a deixava dormir.
Ele já havia apagado o último cigarro, mas o quarto pequeno não liberava a fumaça e ela sentia a cabeça rodar.
Ouvia os sons que vinha do corredor. Gente da noite, sem rumo e sem dono, passava por ali.
Ela se perguntava todo o tempo se aquilo era real, e qual o risco que corria.

O conheceu nas páginas de um site de relacionamento.
Perfil falso, desde o início ele criara uma atmosfera de “Fera” que ser esconde da “Bela” por medo de mostrar sua feiura.
Ela, centrada demais, realista demais, irritava-se com a brincadeira ao mesmo tempo cultivava simpatia pelo homem que sofria escondido atrás do desenho.
Por dias, por semanas, destilou o segredo, mas logo confirmou-se o que de feio escondia:
Ex-detento saíra da prisão havia dois meses.
Seu sonho, seu desejo de brinquedo era encontrar sua princesa vestida levemente e amá-la por toda uma noite.

Ela deu sua palavra.
Prometeu que lhe realizaria o sonho.
Ao menos se entregaria para ele. Ser princesa ela não sabia.
Perdida demais, perdera a muito seus sonhos.
E decidiu que alguém teria uma noite de sonho, já que todos os sonhos dela, desde menina, jamais haviam se realizado.

E saiu sozinha em uma noite de abril.

Foi conhecer a Fera. Encantou-se com seu jeito gentil e assim como a Fera do conto de fadas viu nele um príncipe.
Sonhou com ele seu sonho de brinquedo, e mesmo com seu vestido negro, como negra era sua alma, vestiu-se de princesa para ele.
Ele nunca se perguntou o porquê de o vestido ser negro: Ela não sabia ser princesa. E assim, indignamente vestira de negro a princesa dele.

O ar carregado queimava seus pulmões e ela por ouvir “eu te amo” se deu a ele como nunca se dera a nenhum outro.
Sentiu dor.
E ele, alucinado em levar a cabo seu desejo, sua vontade, sua fome; amou-a sem parar, ainda que ela sentisse dor.

...



Quando tudo acabou ela foi embora com medo de si mesma.
Com medo de uma coragem que beirava a insanidade.
Foi embora sentido no corpo dor e na alma medo. Medo em tentar descobrir o que foi que acontecera com seus sonhos de menina.

Seus cabelos cheiravam a cigarro, e como que se arrastando seguiu para seu apartamento.
Tentava lembrar quando foi que desistiu de seus sonhos.
Naquela noite chorou muito, chorou a dor de não poder amar como ele sonhava, chorou a lembrança de quando seu corpo era um castelo ganho a custa de muitas lutas.

Durante dias tentou acreditar que fizera mesmo aquilo.
Ela sabia que pareceria devasso aos olhos alheios.
Parecia devasso aos seus próprios olhos.

Mas ele...ele acreditava em sonhos. Acreditava em fadas...e a chamava de princesa.
Mesmo quando ela ser vestira de negro. Mesmo assim ele a chamara de princesa e dissera que a amava.

E foi assim: vestida de negro, em um quarto qualquer, repleto de fumaça,que ela se fingiu de princesa.
E seria este, para sempre, seu melhor conto de fadas.
Princesa, perdida.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Sobre a ótica das coisas...e dos seres.

Planejava escrever outra coisa, tenho um texto que está se formando dentro de mim há dias, e só não tive tempo ainda de dar corpo a ele...
Mas a recente descrição que minha filha fez de mim,
me fez escrever compulsivamente enquanto digeria uma insônia pós-feriado.

Confabulávamos eu e ela, lá pelas tantas da noite.
Ela cobrando de mim a certeza de que vou ganhar na mega-sena,
Eu, por minha vez, tentando convencê-la da velha ladainha que dinheiro não é tudo. (Pior é que acredito mesmo nesta ladainha).

Embasada em minha profunda vontade de convencê-la disto,
contei a ela que existe um ditado popular que diz mais ou menos assim: “Sorte no jogo, azar no amor”, ou vice-versa.
Diante de tal e fatídico carma, eu sem dúvida alguma optava por ter sorte no amor.
Vai que jogo na mega-sena, ganho e me declaro infinitamente uma infeliz na arte de amar e ser amada.
...ela, na sua “deslavada” sinceridade me dispara a seguinte frase:

“Mas mãe, você já tem namorado!
E, se ele gosta de você assim:
Pobre,
com uma filha chata,
uma mãe nas costas,
uma cachorra gorda,
um gato que não acerta a areia,
imagina como ia ficar louco por você, se fosse rica!!!!”



Depois de rirmos como loucas as 2horas da manhã, tentei explica a ela que não era esta a questão:
É lógico que eu encontraria quem me amasse: Com dinheiro pra rasgar, podendo encher um pouco aqui, diminuir ali, ajeitar acolá,
Com tempo de sobra pra agregar cultura, conhecimento,
Viajar, conhecer gente e lugares diversos, é obvio e certo que me tornaria alguém bem mais interessante do sei que já sou, (sem falsas modéstias) e possivelmente fosse até mesmo amada de fato...
Mas, será que eu amaria???

...enfim, perdida ficamos nestas divagações todas, até altas horas,
Mas o fato concreto, o que ficou ecoando no meu cérebro até a hora de ir trabalhar foi a descrição que ela, logo ela, fez de mim:

Pobre, (e eu ainda achava que dava a ela mais do que tive!!!)
Com uma filha chata, (a danadinha sabe que é chata!!!)
Uma mãe nas costas (minha mãe ficaria horrorizada de ouvir isto!!!!)
Um cachorra gorda (a Pituca é obesa, precisa de cuidados, grunfffffff!!!!!)
E o tal gato que odeia a areia. (E o gato nem é meu, faço questão de frisar!!!!!).

Cruzes! Olhando assim, por esta ótica, me senti uma tia-avó, Detestável, Assexuada,
Noveleira, Enfadonha, Mal amada e ainda por cima cercada de bichos pulguentos!
Logo eu, que me sinto plena e absoluta, (apesar de não dirigir: segundo minha chefe mulher que não dirige não é plena e absoluta).

...pois é. Já havia mesmo descoberto, quando assisti “Sociedade dos Poetas Mortos” que tudo tem mais de um ponto de vista.

Eu hem!
Preferia ter ido dormir sem esta!!!!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

...Ponto Final.

Lí, dia destes, em um espaço que me foi apresentado, no perfil da dignissima moradora do local algo interessante: "...dúvido do ponto final."(http://adisparatada.blogspot.com/).

Gostei do termo.

Assim como ela eu também dúvido.
Aliás vou além...não tenho dúvida alguma: não acredito no ponto final.
Acredito na reticência, na interjeição, na interrogação.
Acredito nos parágrafos, que sempre nos levam ao começo, a um trecho novo mesmo dentro do mesmo velho texto...

Sem falsas filosofias, sem preceitos dogmáticos, sem apegos religiosos:
Eu acredito na renovação.
Acredito nos começos, nos meios e que o fim nunca é de fato o fim.

Acredito que ainda há uma "porção de coisas grandes pra eu conquistar, e eu não posso ficar aqui parada."
Acredito que até o último dia de minha vida ainda vai valer a pena iniciar um texto, um projeto um amor, um caminho...

Acredito que cada uma de minhas dores, de meus temores, de meus lamentos só são meus e de ninguém mais e é só ai que está o ponto final.
Depois disto, todo o mais é possibilidade, é entrelinha, é entre aspas, é sugestivo e exclamativo!

Todo o resto pode até ser interrogação, mas ponto final?
Não. Não acredito nele.
E ponto!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

...sua verdade.

Chove.
O som das gotas no guarda-chuva, o cheiro, e mesmo seus sapatos molhados aliviam os seus humores.
A chuva tem o Don de fazê-la sentir-se melhor.
Tem dias que o sol parece uma afronta ao seu ânimo.
Aquele céu tão azul parece zombar dela.
A chuva não zomba. A chuva lhe faz companhia.

Abre a porta.
Silêncio.
Delicioso silêncio.
Chuva forte. Solidão.
Irrita-se, pois alguém lhe disse logo cedo que ela gosta da solidão só por nunca ter estado realmente só.
Mentira.
Ela gosta da solidão porque é ela a sua verdade.

Não as pessoas ao seu redor,
não o quintal sempre cheio de sons.
Não o trem cheio, a vida cheia, as paixões todas.
Não.
Sua verdade é o estar só.

Nunca existiu alguém batendo na porta quando o relógio não desperta,
Nem o cheiro de café antes de sua mão posta sobre o bule.
Nunca ouve alguém em algum lugar pra fazer algo.
Sempre palavras. Palavras incentivadoras, palavras animadoras,
Palavras ...mas nunca um único gesto palpável.
Nunca a mão estendida com o remédio que alivia a dor.
O prato quente com a sopa na noite fria.
Nunca o braço forte no fim do dia, quando a vida pesa ainda mais.

Nunca ouve alguém disposto a perder uma só hora de sono por ela.
Soube então, desde sempre, que a solidão era sua verdade.


Não há Fundamentos em sua vida. Nunca ouve.
Solidão sim.
Anda pela sala, sentindo o prazer de sua companhia.
Procura no dicionário o significado da palavra Apoio.
Fundamento. Estrutura.

Para ela apoio era o outro nome da Solidão.
A solidão sempre lhe apoiara, sempre fora sua base, seu fundamento, sua estrutura.


A Solidão combina melhor com sua roupa, com seu vazio, com o seu sono.
A chuva combinava melhor com seus humores.
Chove.
...E ela gosta.

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